CARDOSO, F. H. C. Cultura das Transgressões no Brasil, São Paulo: Editora Saraiva, 2008.
Resenha do capítulo II (pág. 17 a 40)
Comportamentos transgressivos decorrem de muitas causas e constituem um conjunto heterogêneo, distribuído ao longo de um extenso gradiente. Na conexão causal, a cultura atua através de um fator interveniente, a propensão a transgredir. O indivíduo propenso não necessariamente vem a cometer atos transgressivos específicos.
Em sua maior parte, o impacto da transgressão sobre a economia se dá através do entorno institucional e sociocultural da atividade econômica. No Brasil, o descumprimento persistente e generalizado das leis dificulta seriamente o aprimoramento do ambiente de mercado e do próprio mercado.
Um traço marcante da sociedade brasileira é a debilidade de sua ordem normativa. Um sistema deficiente de aplicação das leis (law enforcement) é, sem dúvida, o maior dos malefícios, pois deixa o campo aberto para a transgressão se alastrar e estimula a impunidade.
Comportamentos transgressivos decorrem de muitas causas e constituem um conjunto heterogêneo, distribuído ao longo de um extenso gradiente. Na conexão causal, a cultura atua através de um fator interveniente, a propensão a transgredir. O indivíduo propenso não necessariamente vem a cometer atos transgressivos específicos.
Em sua maior parte, o impacto da transgressão sobre a economia se dá através do entorno institucional e sociocultural da atividade econômica. No Brasil, o descumprimento persistente e generalizado das leis dificulta seriamente o aprimoramento do ambiente de mercado e do próprio mercado.
Um traço marcante da sociedade brasileira é a debilidade de sua ordem normativa. Um sistema deficiente de aplicação das leis (law enforcement) é, sem dúvida, o maior dos malefícios, pois deixa o campo aberto para a transgressão se alastrar e estimula a impunidade.
Entre os fatores responsáveis pela mencionada deficiência incluem-se problemas ligados ao próprio sistema de justiça: casos de incompetência e corrupção; mentalidades paternalistas; tendência a “perdoar” ações violentas e vandálicas em razão de carências sociais; clientelismo e corrupção e, com importância crescente, a porosidade do território nacional a redes transgressoras de e extrema periculosidade, como o narcotráfico.
Como regra geral, parece razoável supor que o volume e a intensidade destrutiva dos comportamentos transgressivos tendem a ser maiores quanto mais abrangentes e profundas sejam as transformações estruturais da modernização. Com a modernidade, o comportamento transgressivo assume uma grande variedade de formas e generaliza-se entre regiões e camadas sociais. Hoje, devido a abundância e variedade dos bens disponíveis para consumo, há uma multiplicação de oportunidades de transgredir.
Nesse contexto, é relevante indagar se a classe média poderá ser o agente da revisão de valores e do apoio político necessários para impulsionar a economia de mercado e frear, quem sabe, a escalada da transgressão. Não obstante, em termos eleitorais, a classe média tem se mostrado assaz volúvel, o que não surpreende, dada a rarefação de sua identidade. Porém, a vida pregressa e as opções políticas recentes da classe média não a qualificam nem desqualificam como parteira de um futuro liberal.
No texto, fica demonstrado que o persistente aumento da transgressão é um correlato inevitável do processo de modernização e que a generalidade do comportamento transgressivo é o lado mau de uma moeda boa: o preço que se paga por uma sociedade dinâmica, moderna e democrática.
Matéria:A difícil tarefa de identificar os realmente pobres
Fonte: Jornal O GLOBO – 30/08/2008Como regra geral, parece razoável supor que o volume e a intensidade destrutiva dos comportamentos transgressivos tendem a ser maiores quanto mais abrangentes e profundas sejam as transformações estruturais da modernização. Com a modernidade, o comportamento transgressivo assume uma grande variedade de formas e generaliza-se entre regiões e camadas sociais. Hoje, devido a abundância e variedade dos bens disponíveis para consumo, há uma multiplicação de oportunidades de transgredir.
Nesse contexto, é relevante indagar se a classe média poderá ser o agente da revisão de valores e do apoio político necessários para impulsionar a economia de mercado e frear, quem sabe, a escalada da transgressão. Não obstante, em termos eleitorais, a classe média tem se mostrado assaz volúvel, o que não surpreende, dada a rarefação de sua identidade. Porém, a vida pregressa e as opções políticas recentes da classe média não a qualificam nem desqualificam como parteira de um futuro liberal.
No texto, fica demonstrado que o persistente aumento da transgressão é um correlato inevitável do processo de modernização e que a generalidade do comportamento transgressivo é o lado mau de uma moeda boa: o preço que se paga por uma sociedade dinâmica, moderna e democrática.
Matéria:A difícil tarefa de identificar os realmente pobres
Por: Dimmi Amora
Resumo da Matéria:
A tarefa de identifcar os realmente necessitados numa cidade partida como o Rio de Janeiro tem ficado cada vez mais difícil. No passado, as favelas poderiam ser consideradas o lugar de conconcentração de quem necessita de ajuda do Estado, porém, atualmente, em muitas dessas comunidades, é difícil identificar os realmente pobres. O secretário municipal de Assistência Social, Marcelo Garcia, informa que há favelas dentro de favelas.
O aumento da renda nas classes mais baixas e a facilidade do crédito viraram motivo de preocupação para as concessionárias. A falta de controle da segurança pública, pelas forças do Estado, nas áreas favelizadas faz com que os concessionários de serviços públicos não tenham condições de fiscalizar a utilização dos recursos nessas áreas.
O crescimento desordenado e a falta de padrão urbanístico para as construções em favelas tem provocado aumento no consumo de energia devido a utilização de aparelhos como ar-condicionado e ventiladores energia, bem como a existência de ligações clandestinas.
Análise Crítica:
Análise Crítica:
A matéria demonstra que a propensão a transgredir independe da estrutura social e que estamos vulneráveis a comportamentos transgressivos e , considerados como um conjunto mais ou menos estável e em contínua reprodução, tais situações e processos correspondem, aproximadamente, ao conceito de “cultura da transgressão”.
Situações e processos semelhantes vêm sendo há muito tempo “sobredeterminados” por um padrão altamente destrutivo de modernização, segundo o autor.
Também, de acordo com o autor, a debilidade da ordem normativa, sendo um traço marcante da sociedade brasileira, acaba sendo ineficaz na função de inibir ou coibir comportamentos transgressores.
Assim, podemos verificar que os argumentos e fatos apresentados na matéria são convergentes e sustentam o conteúdo do livro.
Situações e processos semelhantes vêm sendo há muito tempo “sobredeterminados” por um padrão altamente destrutivo de modernização, segundo o autor.
Também, de acordo com o autor, a debilidade da ordem normativa, sendo um traço marcante da sociedade brasileira, acaba sendo ineficaz na função de inibir ou coibir comportamentos transgressores.
Assim, podemos verificar que os argumentos e fatos apresentados na matéria são convergentes e sustentam o conteúdo do livro.
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